Fiz uma fala no plenário da Alerj na última semana motivado pela lembrança dos dez anos do acidente da Plataforma P-36, e pelas diversas críticas, a meu ver infundadas e injustas, dirigidas à Petrobras – digo à Petrobras de hoje, uma década após aquele fatídico acidente.

Posso dizer, com orgulho, que hoje essa empresa é verdadeiramente brasileira. Nos últimos dez anos, e em especial de 2003 para cá, no governo de Lula, a Petrobras assumiu papel protagonista na História do Brasil. Os acidentes que ocorreram na época do Governo FHC, como o da P-36, não se esgotaram à toa: a nova fase da empresa é fruto de uma decisão estratégica federal, e de um novo modelo de gestão.

A comparação entre a Petrobras do governo FHC, do PSDB, e a Petrobras do governo Lula, do PT, chega a ser desleal. Se antes a empresa era moeda de troca política, sofria com o entreguismo e o sucateamento do serviço público da época das privatizações, hoje ocupa o lugar de uma das grandes indutoras do desenvolvimento nacional. Usando a expressão de Lula, “nunca antes na história” da Petrobras a empresa foi tão indutora do desenvolvimento econômico, com sustentabilidade e respeito ao meio ambiente.

Hoje a preocupação com a valorização do funcionário ocupa lugar central. Os investimentos na área de Segurança, Meio Ambiente e Saúde transmitem essa mudança. E dados positivos nos mostram os resultados dessa política: a quantidade de acidentes, por exemplo, caiu significativamente – este número se reduziu no momento em que se mudou a política da empresa, e veio caindo no decorrer dos anos, na medida em que avançamos nas políticas de valorização da empresa pública.

E o funcionário valorizado produz mais. Tratando-se de uma estatal, produz mais para o povo brasileiro, para que este país tenha, como tem tido, um desenvolvimento econômico invejável – e graças a políticas do governo federal, com distribuição de renda.

Vamos aos números: em 2002, a Petrobras possuía 9,8 mil poços produtores em operação no Brasil e no exterior, 31 sondas para operação de perfuração na terra e no mar e 115 navios petroleiros entregues a exploração. Em 2010, já eram 14 mil poços, 120 sondas e 190 navios.

Falando da Petrobras Biocombustível: hoje, no Brasil, nós temos cinco usinas de biodisel, um investimento anual de 74,4 bilhões e um lucro líquido de 35,2 bilhões de reais ao ano. Em 2002, não possuímos nenhuma usina, nossos investimentos não passavam de 11 bilhões e nosso lucro de 8 bilhões de reais.

Todo esse crescimento foi ainda casado com uma outra mudança fundamental: na Petrobras da era FHC os poucos empregos gerados eram no exterior, em Cingapura, na China. Hoje, a Petrobras gera emprego aqui no Brasil. A retomada dos concursos públicos garantiu um salto de 46,7 mil empregados próprios do sistema Petrobras em 2002 para 77 mil em 2010.

Quero, inclusive, recordar uma fala de Lula na campanha à presidência de 2002: disse que era inadmissível que uma empresa do porte da Petrobras gerasse mais empregos nos Tigres Asiáticos do que no Brasil. E que se ele fosse presidente eleito isso mudaria. Pois mudou e hoje qualquer investimento da Petrobras tem que gerar conteúdo, emprego e tecnologia local mínima de 75%.

Na era FHC, a única receita que era reinvestida na população – e às vezes não da melhor maneira – eram os royalties. (Estes, aliás, que devem continuar sendo reinvestidos, inclusive em nosso Estado, como fruto do suor do trabalhador que são).

Quem costuma passar pela Ponte Rio-Niterói tem uma prova clara dos resultados dessa política de investimentos: a recuperação do Estaleiro Mauá, que há dez anos estava abandonado. A reestruturação da indústria naval brasileira é, em grande parte, de responsabilidade da Petrobras.

Por isso tudo, aprovamos aqui na Alerj a entrega de Título de Cidadão do Rio de Janeiro ao presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli e ao ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, ex-vice-governador do Rio Grande do Sul e atual presidente da Petrobras Biocombustivel, Miguel Rossetto.

Sabemos que ainda há muito o que fazer. Preocupa, por exemplo, a questão dos leilões de petróleo, da camada pós-sal. Felizmente, com o novo marco regulatório do petróleo e a adoção do modelo de partilha – hoje o que mais gera dinheiro para o Brasil –, os leilões do pré-sal não vão mais existir.

Quando faço essa análise, penso o que seria do Brasil se, por exemplo, a Vale do Rio Doce fosse ainda estatal. O quanto poderíamos lucrar para investir em desenvolvimento regional e distribuição de renda, em políticas educacionais, de saúde, etc.

O governo Lula conseguiu mostrar ao mundo o quanto é importante para uma nação manter suas empresas fortes, e sob o controle do Estado. A pouca influência que a crise mundial de 2009 teve em nosso país foi a grande prova do sucesso dessa política.

Todas essas mudanças são mais do que pontuais – fazem parte de uma decisão estratégica do governo federal, para o país e a Petrobras, reconhecida pela população, e que tem tudo para continuar e ser ampliada, agora no governo Dilma.

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