biodieselColegas Petroleir@s da área de Engenharia de Software!

Tenho acompanhado os debates através dos emails e eu queria, com o mais profundo sentimento de respeito ao tempo em que convivemos juntos no segundo semestre de 2008 durante o nosso curso de formação, contribuir com ele.

Eu tenho uma grande rejeição ao Serra e ao que ele representa. E não digo isso apenas por ser um militante filiado ao PT que sonha e trabalha, incansavelmente, para construir, através da política, uma sociedade melhor e mais justa – reconhecendo, inclusive, as dificuldades e os problemas que o meu partido possui em função da ausência de uma verdadeira reforma política no Brasil -, mas, sobretudo, por gostar de política e conhecer muito do que tem acontecido com o Brasil nos últimos anos.

Quero dizer a vocês que eu não tenho sombra nenhuma de dúvidas que o Serra retomará o programa privatista que ele fez em São Paulo e que FHC fez no seu governo. Peço que olhem para a Petrobras que trabalhamos hoje (concursos e salários principalmente) e olhem isso no período FHC. É uma comparação de projetos sim. O nosso país avançou e isso tem muito a ver com o Lula e com o projeto que ele encarna e que precisa continuar.

Tomo a liberdade, com muito respeito, de citar alguns exemplos importantes desse avanço. O Brasil hoje é o segundo maior produtor de biodiesel do mundo. Perdemos apenas para a Alemanha. Entretanto, o nosso programa é melhor que o Alemão, pois temos um caráter social forte no mesmo. 30% dos insumos de quem participa do Programa Nacional de Biodiesel – criado pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário do Governo Lula – vem da agricultura familiar e dos assentados da reforma agrária. Só para se ter uma idéia, a nossa Petrobras Biocombustível – que é apenas uma das 56 empresas que participam do programa – possui 56 mil agricultores familiares organizados em cooperativas e com uma renda média familiar anual de R$ 20 mil reais graças a esse programa. O Serra já se pronunciou sobre ele. Disse que o problema do Programa Nacional de Biodiesel é a falta de uma rentabilidade maior para as empresas participantes. Sabe o que isso significa? que os contratos não serão mais celebrados com os agricultores familiares, mas com o agronegócio, em especial o da Soja. O resultado disso: impacto nas cidades em função do fim de uma política agrária séria que gera oportunidade, trabalho e riqueza para o agricultor no campo brasileiro possibilitando que o mesmo permaneça e se desenvolva lá, ao invés de fugir do campo e tentar uma oportunidade na cidade, como era no tempo do FHC.
Também quero dizer a vocês que o Governo Lula construiu 214 CEFETs contra 140 em toda a história republicana brasileira (de 1889 a 2002 foram construídas 140 Escolas Técnicas Federais enquanto que o Governo Lula construiu 214). Vale destacar que, dessas 140 construídas em outros governos, nenhuma foi no Governo FHC. Aliás, havia uma lei federal que proibia os Estados de realizarem essas construções. Lei derrubada no Governo Lula. Hoje, o BNDES empresta dinheiro aos estados e às estatais para promover desenvolvimento enquanto que no Governo FHC, o BNDES era utilizado para financiar a privatização, como a da Vale do Rio Doce – custou menos que a fábrica de biscoitos Nabisco no EUA -, da Light e a da CSN.

Também quero dizer a vocês que o Governo Lula construiu 16 novas Universidades Federais contra zero no Governo FHC. Aliás, o ex-ministro Paulo Renato dizia que não havia dinheiro para cuidar do ensino médio e da Universidade Pública. Era o discurso preparatório da privatização da Universidade Pública. Hoje, quase 700 milhões de jovens são beneficiados pelo ProUni.

Também não posso deixar de mencionar a influência negativa que representava o FMI na ingerência das nossas contas de investimento. Todos nós lembramos que era proibido investir em infraestrutura por força da proibição que o FMI fazia sobre esse tipo de investimento. Recordo-me de uma história contada durante um ato de campanha no Rio pela própria Dilma. Ela disse que em 2004 o Secretário do Tesouro, Sr. Joaquim Levy, entrou eufórico em sua sala dizendo que eles haviam conseguido, à duras penas, negociar como FMI a “permissão” de um investimento maior em saneamento básico no Brasil: 500 milhões de Reais. A alegria dele se dava por que esse valor já era superior a tudo o que havia sido investido em infraestrutura no segundo mandato do Governo FHC e boa parte do primeiro. Pois bem, hoje não há mais ingerência do FMI. Sabe o que isso significa? Que só o Complexo do Alemão aqui no RJ tem como investimento mais de R$ 500 milhões – valor superior ao que foi investido em todo o Governo FHC no Brasil inteiro em saneamento e infraestrutura (PAC).

Para concluir, eu gostaria de falar do Pré-Sal. Estamos diante de um novo tempo com imensas possibilidades. Sabemos disso por sermos petroleiros. A mudança do marco regulatório – saindo do modelo de concessão e indo para o modelo de partilha – criará um fundo que mudará a cara do Brasil, principalmente na educação. Eu temo, e muito, que esse debate seja feito, ano que vem, em um congressso que trabalhará sobre as rédeas do José Serra do PSDB e do DEM. PSDB e DEM que são contrários ao modelo de partilha – votaram assim o projeto no Congresso. Defenderam, entusiasticamente, o modelo de concessão, onde, como vocês sabem, toda a riqueza – maior parte dela – ficava nas mãos da empresas que venciam os leilões. Nós víamos apenas os Royalties. Com o modelo de partilha, além dos Royaties, veremos também a maior parte da riqueza que ficará no Brasil. Assim é nos principais e melhores países produtores de petroleo do mundo, como a Noruega.

Se o Serra vencer as eleições, estaremos, definitivamente, dando um passo atrás no projeto de nação que o Brasil está construindo. Por isso que eu peço a vocês que reflitam muito. Que avaliem, sinceramente, qual o Brasil que queremos para os nossos filhos e para os nossos netos. As eleições desse ano podem ser um divisor de aguas para o país.

Não se deixem enganar. Votar na Dilma é dizer não ao que foi o Governo FHC e dizer não ao Serra.

Espero ter contribuído com a importante decisão que tomaremos no dia 31 de outubro.

Um grande beijo no coração de vocês e muito obrigado pelo carinho depositado no apoio das eleições desse ano!
Robson Leite

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