Ontem a candidata do PT a presidência, Dilma Rousseff foi entrevistada no Jornal Nacional, da Rede Globo. Veja abaixo comentários do Tijolaço e a íntegra da entrevista!

Dilma Rousseff se saiu muito bem no massacre que acaba de ser promovido pelo Jornal Nacional ao não titubear em nenhuma resposta e se mostrar preparada para qualquer tipo de questionamento. Se a TV Globo repetir o modelo com José Serra e bombardeá-lo com perguntas negativas, como aconteceu com Dilma, o termo de comparação vai ser muito interessante.

Dilma administrou com segurança a tentativa de várias perguntas de imputar a ela a imagem de autoritária ou de excessiva dependência de Lula, elogiando sempre o presidente e ressaltando o seu papel particular, como ministra e coordenadora de governo, para que o crescimento com redução das desigualdades acontecesse nos oito anos de governo.

A candidata também soube aproveitar as oportunidades para cutucar o adversário, destacando a pesada herança política e econômica que Lula recebeu dos tucanos, e ressaltando a capacidade do atual governo de dialogar com os movimentos sociais. “Não tratamos os movimentos sociais a cassetetes”, disse Dilma, numa referência clara à maneira de Serra lidar com os professores de São Paulo.

À pergunta de se o PT errou antes ou agora por fazer alianças com personagens da política brasileira que criticava, Dilma rebateu com precisão ao dizer que a pergunta deveria ser onde o PT acertou. Dilma afirmou que governar implica alianças, mas não abrir mãos das convicções. “Queremos apoio, mas quem nos apóia tem que aceitar nossas diretrizes.”

Dilma não perdeu chances de criticar o governo tucano que Serra integrou e de tratar a herança maldita que precisou superar sempre que as perguntas da dupla de apresentadores do Jornal Nacional tentava acuá-la. Ao ser questionada do porque do crescimento brasileiro não ter acompanhado o de alguns vizinhos e dos Brics, apontou a crise da dívida e o governo que antecedeu o de Lula.

Dilma lembrou que inflação estava fora de controle, que a dívida com o FMI deixava o país em condição subalterna, e que o atual governo teve que fazer um enorme esforço para por as finanças no lugar e fazê-lo crescer com estabilidade. “O Brasil é hoje um dos países que mais cresce no mundo”.

Em meio ao bombardeio, Dilma ainda deu uma pequena lição ao dizer que os resultados dos investimentos em saneamento vão aparecer agora pelo tempo de maturação que exigem. Como coordenadora do PAC, Dilma conhece esta situação de cor, e precisou que a parte do programa referente ao saneamento foi lançada na metade de 2007, e, portanto, só agora apresentará resultados. “Uma das áreas em que eu mais me empenhei foi o saneamento. O investimento no Brasil inteiro era de menos de R$ 300 milhões. Hoje, só na Rocinha, investimos mais de R$ 270 milhões”, comparou.

Na mensagem final, o único momento de trégua, foi breve e até terminou sua fala antes do tempo que dispunha. Mas deixou claro o essencial. Que é a candidata da continuidade ao governo Lula e que irá manter o olhar social que elevará o Brasil da condição de país emergente a país desenvolvido.

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