Por Antonio Augusto, Diretor Secretário do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, trompista do Art Metal Quinteto, professor adjunto da Escola de Música da UFRJ e ex-OSB, demitido após 23 anos de serviços prestados.

1) Os músicos da OSB se recusam a fazer as avaliações propostas pela FOSB por medo, preguiça e para manter seu emprego em uma “zona de conforto”.

Assim que recebemos o comunicado do dia 6 de janeiro, deixamos claro que não éramos contra uma avaliação de desempenho, mas demonstramos nossa preocupação com a falta de critérios e de discussão que cercava este processo. Nos dias seguintes ao recebimento do comunicado, também nos foi enviada a tabela de atividades da orquestra e notamos que não haveria nenhuma atividade agendada para a orquestra até o mês de agosto de 2011, e que os concertos realizados neste período seriam todos com a OSB Jovem.

Se a ideia era uma simples avaliação de desempenho porque não voltaríamos às atividades normais nos dias seguintes? O que poderia impedir a continuidade de nossas atividades? A resposta veio na matéria publicada no dia 18 de fevereiro, no jornal “O Globo”, ocasião em que o diretor artístico anunciava a renovação do elenco e afirmava que poderiam acontecer reprovações no processo de avaliação.

Apesar disto, a FOSB assumiu um discurso tentando convencer a sociedade do contrário, embora não explicasse a ausência de atividades durante o primeiro semestre e a utilização da OSBJ nos concertos oficiais da orquestra. Após meses de questionamento o porquê da suspenção somente foi revelado pelo presidente da FOSB, em entrevista ao jornal “O Globo” em 9 de abril de 2011: “(…) pensamos em tocar música de câmara neste primeiro semestre, dando destaque aos músicos, o que eles pediam há dois anos”. Esta linha de pensamento também é utilizada pelo diretor artístico, em entrevista ao jornalista Clóvis Marques, ao explicar a utilização da OSBJ em substituição da profissional: “A sua participação [da OSB Jovem] nos concertos das séries oficiais atende a um pedido dos jovens de participar das séries oficiais da OSB, uma vez que alguns programas belíssimos feitos pela Jovem em 2010 só puderam ser apreciados por estudantes de escolas públicas em concertos fechados”.

Estas respostas demostram claramente que, no mínimo, não havia consistência nenhuma na proposta das avaliações. Ou talvez o mais grave: seria preferível recorrer a explicações pobres e sem sentido do que revelar a verdadeira motivação que impulsionou este desastroso processo. Ou pela inconsistência ou pelo que não pode ser revelado, fizeram bem os músicos ao se opor a esta violência deixando, assim, de compactuar com interesses outros que não a integridade da Orquestra Sinfônica Brasileira.

2) Existe um projeto artístico e administrativo amplo por trás destas avaliações, com um substancial aumento de salário.

Se existe mesmo este projeto ele nunca foi explicado, exibido e debatido. Talvez só em reuniões tão secretas que ninguém nunca teve acesso. Um bom argumento sobre a inexistência deste projeto é a temporada projetada para a “nova OSB”, em 2011: uma série de concertos com Kurt Masur (vale lembrar que há muitos anos recebemos este grande maestro, o que sempre é uma honra, mas não temos outros grandes maestros para trabalhar?); mais uma nova obra do violonista Yamandu Costa e mais trilhas de cinema. Há pelo menos três anos que fazemos exatamente a mesma receita de programação artística. Fora isso, vejamos o programa que está anunciado para o dia 3 de junho, data de estreia da “nova osb”: ANTONÍN DVORÁK, Sinfonia nº 8 em Sol maior, Op. 88; JULES MASSENET, Meditação, da ópera “Thaís” (a OPS usa muito esta obra em seus concertos de natal); ARAM KHACHATURIAN, Concerto para violino. Quanta inovação, não é? Fico arrepiado só de pensar no quanto de revolucionário, moderno e completamente inusitado artisticamente é a programação da Meditação, da ópera “Thaís”!!

Quanto à parte administrativa e dos salários, me recordo bem de quando fomos apresentados ao nosso diretor administrativo e eu perguntei quais dos modelos de administração utilizados pelas grandes orquestras mundiais ele achava mais adequado e recomendado para a nossa velha OSB. A resposta foi uma expressão assustada e um silêncio, para mim, ensurdecedor. Quem vai mesmo liderar este novo projeto administrativo? O departamento de marketing?

No que concerne aos salários basta olhar a própria apresentação da administração:

Observem que o salário base (que atualmente é de R$ 4.000,00 brutos) sofrerá um aumento de 50% e passará ao valor de R$ 6.000,00. Somente sobre este valor incidirão os cálculos do FGTS e das contribuições sociais obrigatórias. Acabam os anuênios (um estímulo a permanência na instituição) e se alteram as gratificações por função (20, 30 e 40% nas regras atuais). Portanto, além de ser questionável no ponto de vista trabalhista, esta nova regra só garante um real aumento de salário para aqueles que abrirem mão inteiramente do seu direito de imagem e tocar em todas as 360 funções anuais estipuladas no novo regimento (senão como participar em todos os oito concertos mensais?). Então, o que se anuncia como uma oportunidade de dedicação exclusiva e por isso uma oportunidade de aprimoramento se revela uma relação de trabalho antiartística, na qual o cidadão para poder garantir a integridade de seus vencimentos terá que participar de todas, todas as 360 funções anuais!

Desta forma, ficará sem tempo para estudar em casa (o que é fundamental para o crescimento técnico), realizar música de câmara ou fazer suas apresentações como solista e recitalista, o que demanda tempo e dedicação e é fundamental para o desenvolvimento técnico e artístico do músico.

Portanto, atestamos mais um equívoco sendo colocado para a sociedade em uma roupagem de vantagens e benefícios que não corresponde à realidade.

3) A presença do diretor artístico e maestro Roberto Minczuk teria atraído patrocínios, sendo, deste modo, o responsável pela recuperação financeira da FOSB

Atualmente temos o BNDES, a Vale e a Prefeitura do Rio de Janeiro como mantenedoras da OSB, ou seja, são as três principais fontes de recursos que garantem a operacionalidade da Fundação. Ora, tanto a Vale como a Prefeitura já eram patrocinadoras antes da chegada do diretor artístico. A Prefeitura iniciou seu aporte de verba através de um encontro realizado entre músicos e o prefeito da época, o sr. César Maia. Isso mesmo! Vocês não leram errado! Foram os músicos que foram negociar e viabilizaram o aporte de verbas da Prefeitura do Rio de Janeiro à FOSB. E ainda ficou acordado na época que este dinheiro só poderia ser usado para honrar a folha de pagamento dos músicos. Lembro-me bem do prefeito afirmando que nem uma caixa de fósforos poderia ser comprada com esta verba, muito menos o pagamento do maestro, naquele período o maestro Yeruham Scharovsky.

A Vale foi trazido como patrocinadora ainda nos tempos do presidente Roberto Paulo Cezar de Andrade, motivo que ensejou a entrada no sr. Roger Agnelli no Conselho Curador. O BNDES também entrou como fruto das relações e redes sociais e profissionais do Conselho Curador e foi negociado pelo antigo diretor executivo Luiz Benedini. O vice-presidente do BNDES Armando Mariante Carvalho, também é membro do Conselho Curador. Portanto, percebe-se que não há uma ingerência direta, uma atuação determinante do maestro na obtenção e manutenção destes patrocínios tão importantes e decisivos para a existência da OSB.

E o mais importante: se a FOSB alcançou um aumento sem precedentes do seu orçamento anual – de $ 3,7 milhões para 20,5 milhões dólares ao longo de cinco anos -, esta vitória não se deve apenas às ações da uma nova diretoria ou da equipe de marketing, mas é também o resultado do reconhecimento da sociedade a qualidade e ao talento de seus músicos. Este ponto parece ser sempre esquecido, ou se prefere fazê-lo esquecido.

4) A FOSB afirma que foram diversas as tentativas de conciliação, desde a primeira reunião, em 18 de fevereiro, até a última segunda-feira, 25/04 e se empenhou ao máximo para atender as solicitações do grupo de músicos, mas infelizmente não houve consenso.

Entre o dia 18 de fevereiro e o dia 25 de abril de 2011 foram realizadas exatamente três (três!) reuniões entre membros do Conselho Curador (sr. Eleazar de Carvalho e o sr. David Zylbersztajn) e representantes da comissão de músicos. Somam-se a estas as duas mesas redondas solicitadas pelo Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro e promovidas pelo Ministério do Trabalho (na primeira a FOSB não compareceu e na última, com o representante do Ministério do Trabalho, também não houve presença da Fundação).

Com exceção dessas oportunidades, o Sindicato dos Músicos – que desde o início exerceu seus atributos e patrocinou todo o apoio aos músicos na tentativa de uma conciliação -, não foi convidado a participar de nenhum debate ou encontro envolvendo a Fundação e os músicos demissionários. As reinvindicações dos músicos que abordavam questões como modernização da administração, o gerenciamento colegiado e possibilidades de aprimoramento não foram sequer respondidos pela FOSB que se limitou a sugerir a criação der um comitê artístico, de caráter consultivo e de aconselhamento, que teria como objetivo auxiliar a direção artística na retomada da temporada 2011 e na indicação de propostas para a temporada 2012. Neste comitê não estava prevista a participação do músico da OSB!

A FOSB em seu “comunicado relevante” apenas indica que reabriria o prazo para receber sugestões dos músicos ao novo regimento interno, que, após as devidas considerações, será submetido à aprovação do Conselho. Não fala de mudança nos estatutos, fundamentais para a implementação de uma gestão colegiada em sintonia com os tempos atuais e de acordo com as indicações da Federação Internacional dos Músicos. Falam em “nível internacional”, mas continuam nos oferecendo uma administração ultrapassada e sem direito a voz de sua parte mais interessada: os músicos!

Neste sentido, afirmar que “diversas” tentativas foram realizadas e que houve “empenho” em atender as solicitações dos músicos pode conduzir a uma visão distorcida dos fatos.

5) Os músicos ao se posicionarem publicamente contra o processo de avaliação denigrem a imagem da Fundação e se opõe a uma proposta de desenvolvimento da OSB.

Quem na verdade arranha a imagem desta instituição? Os músicos? As quase cinco mil assinaturas em um abaixo assinado de repúdio as determinações da Fundação? Os jornalistas, críticos e músicos da comunidade internacional que retiraram o véu deste triste simulacro de projeto artístico? Os inúmeros artistas consagrados como Antonio Menezes, Nelson Freire, Cristina Ortiz, Roberto Tibiriçá, Isaac Karabtchevsky, Marlos Nobre, Alex Klein e a bailarina Ana Botafogo que se mostraram perplexos com a sequência de acontecimentos que resultaram nas demissões por justa causa?

Será que somos todos mentirosos, loucos e preguiçosos? Será que somos todos infectados com a preguiça, a indolência e falta de vontade de crescer?

Sermos qualificados desta maneira só pode interessar aos que querem enfiar em nossas goelas uma visão de mundo civilizada, antenada com as tendências europeias, conectadas ao que há de “mais moderno no mundo”. Aliás, sobre isto escreveu muito bem o Carlos Henrique Machado:

“Essa ignorância toda o maestro provavelmente importou. E aí, ele carrega, pra cima e pra baixo, esse embrulho com etiqueta estrangeira, exibindo servilmente o seu contrabando importado e, dentro do embrulho há somente um paralelepípedo de concreto, um pedaço do muro que separa civilizações, ao invés fazer uso dos sons para universalizar pela alma, pelo aspecto humano e pela solidariedade entre os povos, porque essa anti-brasilidade que marca a sua intolerância está longe de ser base para a realização da obra de arte verdadeira. Se o maestro perdeu o contato com a realidade, a cultura brasileira não perdeu. (…) o pensamento de Minczuk é antiartístico e apenas nutre o gosto de pequenas elites de “requintados” que adoram viver de simulações eurocêntricas dentro do Brasil”.

Cinco mitos criados durante a crise da OSB

  1. Os músicos da OSB se recusam a fazer as avaliações propostas pela FOSB por medo, preguiça e para manter seu emprego em uma “zona de conforto”.

Assim que recebemos o comunicado do dia 6 de janeiro, deixamos claro que não éramos contra uma avaliação de desempenho, mas demonstramos nossa preocupação com a falta de critérios e de discussão que cercava este processo. Nos dias seguintes ao recebimento do comunicado, também nos foi enviada a tabela de atividades da orquestra e notamos que não haveria nenhuma atividade agendada para a orquestra até o mês de agosto de 2011, e que os concertos realizados neste período seriam todos com a OSB Jovem.

Se a ideia era uma simples avaliação de desempenho porque não voltaríamos às atividades normais nos dias seguintes? O que poderia impedir a continuidade de nossas atividades? A resposta veio na matéria publicada no dia 18 de fevereiro, no jornal “O Globo”, ocasião em que o diretor artístico anunciava a renovação do elenco e afirmava que poderiam acontecer reprovações no processo de avaliação.

Apesar disto, a FOSB assumiu um discurso tentando convencer a sociedade do contrário, embora não explicasse a ausência de atividades durante o primeiro semestre e a utilização da OSBJ nos concertos oficiais da orquestra. Após meses de questionamento o porquê da suspenção somente foi revelado pelo presidente da FOSB, em entrevista ao jornal “O Globo” em 9 de abril de 2011: “(…) pensamos em tocar música de câmara neste primeiro semestre, dando destaque aos músicos, o que eles pediam há dois anos”. Esta linha de pensamento também é utilizada pelo diretor artístico, em entrevista ao jornalista Clóvis Marques, ao explicar a utilização da OSBJ em substituição da profissional: “A sua participação [da OSB Jovem] nos concertos das séries oficiais atende a um pedido dos jovens de participar das séries oficiais da OSB, uma vez que alguns programas belíssimos feitos pela Jovem em 2010 só puderam ser apreciados por estudantes de escolas públicas em concertos fechados”.

Estas respostas demostram claramente que, no mínimo, não havia consistência nenhuma na proposta das avaliações. Ou talvez o mais grave: seria preferível recorrer a explicações pobres e sem sentido do que revelar a verdadeira motivação que impulsionou este desastroso processo. Ou pela inconsistência ou pelo que não pode ser revelado, fizeram bem os músicos ao se opor a esta violência deixando, assim, de compactuar com interesses outros que não a integridade da Orquestra Sinfônica Brasileira.

  1. Existe um projeto artístico e administrativo amplo por trás destas avaliações, com um substancial aumento de salário.

Se existe mesmo este projeto ele nunca foi explicado, exibido e debatido. Talvez só em reuniões tão secretas que ninguém nunca teve acesso. Um bom argumento sobre a inexistência deste projeto é a temporada projetada para a “nova OSB”, em 2011: uma série de concertos com Kurt Masur (vale lembrar que há muitos anos recebemos este grande maestro, o que sempre é uma honra, mas não temos outros grandes maestros para trabalhar?); mais uma nova obra do violonista Yamandu Costa e mais trilhas de cinema. Há pelo menos três anos que fazemos exatamente a mesma receita de programação artística. Fora isso, vejamos o programa que está anunciado para o dia 3 de junho, data de estreia da “nova osb”: ANTONÍN DVORÁK, Sinfonia nº 8 em Sol maior, Op. 88; JULES MASSENET, Meditação, da ópera “Thaís” (a OPS usa muito esta obra em seus concertos de natal); ARAM KHACHATURIAN, Concerto para violino. Quanta inovação, não é? Fico arrepiado só de pensar no quanto de revolucionário, moderno e completamente inusitado artisticamente é a programação da Meditação, da ópera “Thaís”!!

Quanto à parte administrativa e dos salários, me recordo bem de quando fomos apresentados ao nosso diretor administrativo e eu perguntei quais dos modelos de administração utilizados pelas grandes orquestras mundiais ele achava mais adequado e recomendado para a nossa velha OSB. A resposta foi uma expressão assustada e um silêncio, para mim, ensurdecedor. Quem vai mesmo liderar este novo projeto administrativo? O departamento de marketing?

No que concerne aos salários basta olhar a própria apresentação da administração:

Observem que o salário base (que atualmente é de R$ 4.000,00 brutos) sofrerá um aumento de 50% e passará ao valor de R$ 6.000,00. Somente sobre este valor incidirão os cálculos do FGTS e das contribuições sociais obrigatórias. Acabam os anuênios (um estímulo a permanência na instituição) e se alteram as gratificações por função (20, 30 e 40% nas regras atuais). Portanto, além de ser questionável no ponto de vista trabalhista, esta nova regra só garante um real aumento de salário para aqueles que abrirem mão inteiramente do seu direito de imagem e tocar em todas as 360 funções anuais estipuladas no novo regimento (senão como participar em todos os oito concertos mensais?). Então, o que se anuncia como uma oportunidade de dedicação exclusiva e por isso uma oportunidade de aprimoramento se revela uma relação de trabalho antiartística, na qual o cidadão para poder garantir a integridade de seus vencimentos terá que participar de todas, todas as 360 funções anuais!

Desta forma, ficará sem tempo para estudar em casa (o que é fundamental para o crescimento técnico), realizar música de câmara ou fazer suas apresentações como solista e recitalista, o que demanda tempo e dedicação e é fundamental para o desenvolvimento técnico e artístico do músico.

Portanto, atestamos mais um equívoco sendo colocado para a sociedade em uma roupagem de vantagens e benefícios que não corresponde à realidade.

  1. A presença do diretor artístico e maestro Roberto Minczuk teria atraído patrocínios, sendo, deste modo, o responsável pela recuperação financeira da FOSB

Atualmente temos o BNDES, a Vale e a Prefeitura do Rio de Janeiro como mantenedoras da OSB, ou seja, são as três principais fontes de recursos que garantem a operacionalidade da Fundação. Ora, tanto a Vale como a Prefeitura já eram patrocinadoras antes da chegada do diretor artístico. A Prefeitura iniciou seu aporte de verba através de um encontro realizado entre músicos e o prefeito da época, o sr. César Maia. Isso mesmo! Vocês não leram errado! Foram os músicos que foram negociar e viabilizaram o aporte de verbas da Prefeitura do Rio de Janeiro à FOSB. E ainda ficou acordado na época que este dinheiro só poderia ser usado para honrar a folha de pagamento dos músicos. Lembro-me bem do prefeito afirmando que nem uma caixa de fósforos poderia ser comprada com esta verba, muito menos o pagamento do maestro, naquele período o maestro Yeruham Scharovsky.

A Vale foi trazido como patrocinadora ainda nos tempos do presidente Roberto Paulo Cezar de Andrade, motivo que ensejou a entrada no sr. Roger Agnelli no Conselho Curador. O BNDES também entrou como fruto das relações e redes sociais e profissionais do Conselho Curador e foi negociado pelo antigo diretor executivo Luiz Benedini. O vice-presidente do BNDES Armando Mariante Carvalho, também é membro do Conselho Curador. Portanto, percebe-se que não há uma ingerência direta, uma atuação determinante do maestro na obtenção e manutenção destes patrocínios tão importantes e decisivos para a existência da OSB.

E o mais importante: se a FOSB alcançou um aumento sem precedentes do seu orçamento anual – de $ 3,7 milhões para 20,5 milhões dólares ao longo de cinco anos -, esta vitória não se deve apenas às ações da uma nova diretoria ou da equipe de marketing, mas é também o resultado do reconhecimento da sociedade a qualidade e ao talento de seus músicos. Este ponto parece ser sempre esquecido, ou se prefere fazê-lo esquecido.

  1. A FOSB afirma que foram diversas as tentativas de conciliação, desde a primeira reunião, em 18 de fevereiro, até a última segunda-feira, 25/04 e se empenhou ao máximo para atender as solicitações do grupo de músicos, mas infelizmente não houve consenso.

Entre o dia 18 de fevereiro e o dia 25 de abril de 2011 foram realizadas exatamente três (três!) reuniões entre membros do Conselho Curador (sr. Eleazar de Carvalho e o sr. David Zylbersztajn) e representantes da comissão de músicos. Somam-se a estas as duas mesas redondas solicitadas pelo Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro e promovidas pelo Ministério do Trabalho (na primeira a FOSB não compareceu e na última, com o representante do Ministério do Trabalho, também não houve presença da Fundação).

Com exceção dessas oportunidades, o Sindicato dos Músicos – que desde o início exerceu seus atributos e patrocinou todo o apoio aos músicos na tentativa de uma conciliação -, não foi convidado a participar de nenhum debate ou encontro envolvendo a Fundação e os músicos demissionários. As reinvindicações dos músicos que abordavam questões como modernização da administração, o gerenciamento colegiado e possibilidades de aprimoramento não foram sequer respondidos pela FOSB que se limitou a sugerir a criação der um comitê artístico, de caráter consultivo e de aconselhamento, que teria como objetivo auxiliar a direção artística na retomada da temporada 2011 e na indicação de propostas para a temporada 2012. Neste comitê não estava prevista a participação do músico da OSB!

A FOSB em seu “comunicado relevante” apenas indica que reabriria o prazo para receber sugestões dos músicos ao novo regimento interno, que, após as devidas considerações, será submetido à aprovação do Conselho. Não fala de mudança nos estatutos, fundamentais para a implementação de uma gestão colegiada em sintonia com os tempos atuais e de acordo com as indicações da Federação Internacional dos Músicos. Falam em “nível internacional”, mas continuam nos oferecendo uma administração ultrapassada e sem direito a voz de sua parte mais interessada: os músicos!

Neste sentido, afirmar que “diversas” tentativas foram realizadas e que houve “empenho” em atender as solicitações dos músicos pode conduzir a uma visão distorcida dos fatos.

  1. Os músicos ao se posicionarem publicamente contra o processo de avaliação denigrem a imagem da Fundação e se opõe a uma proposta de desenvolvimento da OSB.

Quem na verdade arranha a imagem desta instituição? Os músicos? As quase cinco mil assinaturas em um abaixo assinado de repúdio as determinações da Fundação? Os jornalistas, críticos e músicos da comunidade internacional que retiraram o véu deste triste simulacro de projeto artístico? Os inúmeros artistas consagrados como Antonio Menezes, Nelson Freire, Cristina Ortiz, Roberto Tibiriçá, Isaac Karabtchevsky, Marlos Nobre, Alex Klein e a bailarina Ana Botafogo que se mostraram perplexos com a sequência de acontecimentos que resultaram nas demissões por justa causa?

Será que somos todos mentirosos, loucos e preguiçosos? Será que somos todos infectados com a preguiça, a indolência e falta de vontade de crescer?

Sermos qualificados desta maneira só pode interessar aos que querem enfiar em nossas goelas uma visão de mundo civilizada, antenada com as tendências europeias, conectadas ao que há de “mais moderno no mundo”. Aliás, sobre isto escreveu muito bem o Carlos Henrique Machado:

“Essa ignorância toda o maestro provavelmente importou. E aí, ele carrega, pra cima e pra baixo, esse embrulho com etiqueta estrangeira, exibindo servilmente o seu contrabando importado e, dentro do embrulho há somente um paralelepípedo de concreto, um pedaço do muro que separa civilizações, ao invés fazer uso dos sons para universalizar pela alma, pelo aspecto humano e pela solidariedade entre os povos, porque essa anti-brasilidade que marca a sua intolerância está longe de ser base para a realização da obra de arte verdadeira. Se o maestro perdeu o contato com a realidade, a cultura brasileira não perdeu. (…) o pensamento de Minczuk é antiartístico e apenas nutre o gosto de pequenas elites de “requintados” que adoram viver de simulações eurocêntricas dentro do Brasil”.

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