Foi realizada hoje (05/10) na Alerj audiência pública da Comissão de Cultura sobre o desenvolvimento do circuito exibidor audiovisual no Rio de Janeiro. A atividade foi presidida pelo deputado Robson Leite, que abriu o encontro destacando a importância do debate: “O crescimento do número de salas é fundamental para o escoamento de nossa produção cinematográfica. Avançamos muito neste setor, e hoje nossa produção é diversificada e qualificada, mas termina sem espaço para ser exibida. Ampliar o circuito exibidor, tendo como base a experiência das pequenas salas comerciais de bairro, é fundamental para fortalecer nossa produção, ampliar o acesso ao cinema e movimentar a economia de diversas regiões”.

Glauber Piva, diretor da Ancine responsável pela realização da audiência junto com a Comissão de Cultura, relatou os baixos índices brasileiros: “No Brasil temos uma sala para cada 80.000 habitantes. No estado do Rio de Janeiro, uma por 56.000, na capital, uma por 40.000. Se o RJ está bem diante da média nacional, temos muito a avançar comparando com outros países. Os números revelam ainda a alta concentração na capital”. Piva ressaltou também que deve haver preocupação de incentivo à digitalização das salas existentes, para adequação à produção.

Sérgio Sá Leitão, presidente da Rio Filmes, lembrou em sua fala que são muitas as barreiras que afastam a população das salas de cinema: a falta de informação, a dificuldade de mobilidade urbana aliada à concentração de salas em determinadas regiões, e o valor do ingresso. “O Cine Carioca, no Complexo do Alemão,  assim como a rede de salas que a Prefeitura está instalando em diversas comunidades, enfrenta esse problema. Seu sucesso reflete a grande demanda por salas exibidoras. Mas vale lembrar que o projeto é subsididado”, afirmou Sérgio.

Adailton Medeiros, do Cine Guadalupe, experiência bem-sucedida de pequena sala comercial, avaliou a importância de iniciativas similares: “Somos bandeirantes do cinema na zona norte. Hoje somos a 10ª sala do Rio em vendas de ingressos. Nossa vitória abriu frente para o surgimento de outras dezoito salas na região”.

Representante do Cine Joia, Raphael Aguinaga, afirmou perceber um movimento periférico ao grande mercado ganhando força no setor audiovisual, tanto na exibição, como na distribuição e produção. Além disso, Raphael defendeu medidas simples e eficazes, como o uso das salas pela manhã em parceria com a rede de educação e a reforma de salas: “Existem diversas salas de cinema fechadas na zona norte e o custo para reforma é bem menor do que o de construção. Precisamos de incentivo para ocupá-las – esta é uma medida que movimenta e valoriza regiões”.

Adil Tiscatti, do Cine Santa, defendeu as pequenas salas como o melhor caminho para a ampliação do circuito exibidor. Para ele, as grandes salas precisam dos lançamentos para grande lucros que cubram os investimentos. Já as pequenas podem selecionar seus filmes com base em outros critérios, e se relacionam mais com o público e o bairro onde estão inseridas.

Também estiveram presentes Julia Levy, Superintendente de Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura; Marcus Vinicius Alves, do BNDES; Fabiana Scherer, da Firjan; e representantes da Associação de Cineclubistas.

Entre os encaminhamentos do encontro estão a realização de outra audiência, sobre o desenvolvimento do circuito exibidor não comercial do estado – reinvindicação dos cineclubistas presentes –, e a criação de um grupo de trabalho, que elaborará legislação e políticas a serem indicadas ao executivo.

Esta foi a décima segunda audiência da Comissão de Cultura este ano, que já reuniu mais de 2.000 pessoas na Alerj.

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