Hoje a ONU viveu um dia histórico. Além de ter sido a primeira vez que uma mulher abriu a reunião de sua Assembleia Geral, em raras vezes uma reunião da organização viu um representante de um Estado emergente criticar de forma tão dura os Estados mais poderosos do planeta. Desde o início desta semana, o discurso da presidenta Dilma era bastante aguardado pelos líderes mundiais e ela não frustrou essas expectativas.

A líder da nação brasileira foi aplaudida três vezes durante sua fala: A primeira, quando ressaltou que aquela era a primeira vez que uma voz feminina abria os trabalhos na Assembleia Geral; A segunda, quando cobrou firmemente uma reforma no Conselho de Segurança da entidade, incluindo o Brasil e outros países emergentes como membros permanentes; E a terceira quando defendeu sem meias palavras a integração plena do Estado Palestino na ONU, proposta que contraria a opinião dos EUA.
A primeira afirmação reflete o bom momento da luta mundial das mulheres pela igualdade de direitos. Apesar do longo trabalho que ainda precisa ser feito, a criação da ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero e o empoderamento da mulher (comandada pela ex-presidenta chilena, Michele Bachelet), é um claro sintoma do aumento da discussão mundial sobre o tema.
As duas últimas reivindicações demonstram que o papel do Brasil no mundo mudou de forma definitiva. O país deixou de ser um seguidor da política ditada pela Europa e pelos EUA para se tornar um país autônomo e que defende seus próprios interesses e o interesse de seus aliados estratégicos.
Essa mudança é resultado direto da política externa do presidente Lula, que foi executada com maestria pelo ex-chanceler Celso Amorim. Muito criticada pela imprensa nativa, que nunca se furta em defender os interesses dos países ricos, foi essa política ousada que conferiu a legitimidade para o papel do Brasil como uma das lideranças do mundo em desenvolvimento.
O novo papel do Brasil não é importante apenas para o desenvolvimento do país, mas também para a solução das principais questões humanitárias do mundo. Afinal, não é qualquer país que pode dizer que tem como meta o crescimento sustentável da sua economia, com distribuição de renda e eliminação da miséria e das desigualdades sociais.
O primeiro grande teste para esse novo papel do país será a organização da Rio +20, em junho do próximo ano. Se conseguir dobrar a resistência dos países desenvolvidos à adoção de medidas efetivas para a redução do aquecimento global, o Brasil poderá se tornar o protagonista de uma nova era, onde os direitos humanos e a solidariedade entre os povos se sobreponham aos interesses do mercado financeiro.

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