Há exatos um ano e quatro meses o Brasil aprovava, sob o comando do Senhor Eduardo Cunha e com total apoio de parte significativa da grande mídia brasileira – e consequentemente com o apoio do “povo brasileiro” -, o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. O crime? As “terríveis e gravíssimas pedaladas fiscais”. Conta na Suíça em nome da Presidenta? Não. Quem tinha uma era o Eduardo Cunha. Gravação pedindo propina? Não. Quem tinha isso era o Aécio Neves. Imagens de mala de dinheiro sendo entregue diretamente ao assessor especial da Presidência? Não. Quem tinha isso era o Temer. Prova do uso do cargo para tirar proveito ou vantagens pessoais? Não. Quem fez isso foi o Geddel, Ministro do Temer, ao pedir pro Calero, outro Ministro do Temer, para liberar uma “licença” da obra do seu prédio que estava embargada.

Pode parecer esquisito isso tudo, e certamente daqui a dez anos será esquisito e também vergonhoso, mas o Brasil mergulhou no dia 17 de abril de 2016 no período mais tenebroso de sua história, que culminaria com o fim da aposentadoria, fim de importantes programas sociais, fim do SUS e da educação pública, fim de um projeto de nação trocado por um projeto rentista para atender única e exclusivamente aos bancos. Sim, os bancos. Essas entidades que nunca viveram de fato uma crise, pois sempre tiveram lucros. O Bradesco é um intrigante exemplo. Faturou 16 bilhões de reais em 2016, deve 900 milhões de reais à Previdência e, em função da “crise”, mesmo com esse lucro inababesco, demitiu centenas de trabalhadores. E sabe o que é pior? Com total apoio da mídia que tem a capacidade quase mágica de enganar e formar opiniões na cabeça das pessoas, por mais absurdas que elas sejam.

Pois é. Que poder tem essa mídia, hein? Ela conseguiu convencer a população brasileira que crime eram as pedaladas fiscais e que os 450 Kg de pasta base de cocaína em um helicóptero não era nada… Quer mais? Ela é tão poderosa que é capaz de fazer você achar que o verdadeiro crimonoso no Brasil é o jovem pobre e negro que está com um fuzil em uma comunidade dominada pelo “tráfico de drogas”. O helicóptero de um certo senador com cocaína? As armas que aparecem como por mágica nas favelas? As malas gravadas em vídeos cheias de dinheiro carregadas pelo assessor especial do Temer? O Aécio pedindo propina em um áudio gravado em um grampo telefônico? Bobagem, isso não é nada…. Na verdade, crime mesmo é fazer pedaladas fiscais para manter programas sociais e dar esperança de dias melhores para a classe trabalhadora.

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