Ontem (19/08) estive na Gávea promovendo uma palestra sobre motivação para alunos do pré-vestibular comunitário de lá. Tinham mais de trinta jovens lutando pelo sonho de ingressarem em uma universidade pública, alguns estão tentando pelo segundo ou terceiro ano consecutivos. Fico muito feliz em levar minha experiência para alunos como esses, muitos de comunidades, alguns já com filhos, outros trabalhando para ajudar na renda de casa, mas nunca desistindo do sonho de cursar o Ensino Superior.

No Brasil de hoje, a chance de esses alunos ingressarem nas universidades é bem maior. A aceitação do ENEM, as cotas sociais, o REUNI e o ProUni ampliaram e facilitaram o acesso dos nossos jovens em universidades públicas e até como bolsistas em instituições particulares.

A batalha que muitos deles ainda têm que enfrentar é entender que eles realmente podem. A sociedade tenta impor que a universidade não é o lugar deles e muitos acreditam nisso. Eu sou professor em pré-vestibulares comunitários há 11 anos, antes das políticas públicas de incentivo a entrada de jovens carentes no ensino superior e já presenciei muitos alunos atingirem seu objetivo, graças a sua força de vontade e persistência.

A entrada de jovens oriundos de pré-vestibulares comunitários em universidades é importante para toda a sociedade. Nossos universitários ingressam com desejo de mudança. Tornam-se militantes do movimento estudantil e desejam extrair o máximo que a universidade pode lhes oferecer. E também querem que outros tenham essa oportunidade. Os jovens precisam ser protagonistas de sua história na universidade, para mudarem a sociedade. E ao sair dela é necessário continuar a atuação em sindicatos, partidos políticos, pastorais sociais, etc., para serem a mudança que queremos.

Essa mudança que queremos culmina com o próprio fim dos pré-vestibulares comunitários. Isso se daria pelo fim de provas que restringem a entrada do aluno. A universidade que queremos é pública e universal, com vagas para todos e todas, independentemente de classe social e etnia.  E mesmo depois de formados não podemos abandonar essa luta, afinal, o que é bom para todos é bom para cada um. A sociedade é a mesma para todos nós.

Enquanto ainda estamos na luta por essas transformações, deixo vocês com algumas dicas para quem está tentando ingressar na universidade:

  • Leia bastante. Não apenas livros técnicos, mas romances, livros de ação, ficção científica… qualquer tema que desperte seu interesse. A leitura aprimora seu vocabulário e exercita sua mente para que você raciocine mais rápido;
  • Nunca pense que você não consegue. Nossas limitações estão dentro de nós mesmos. Se você pensar que não consegue, que não pode, não vai conseguir mesmo. Devemos ser os primeiros a acreditarmos em nós;
  • Abra mão de certas coisas pensando no seu objetivo. Quanto mais você se esforçar, mais perto chega da universidade;
  • Estude em grupos. “Juntos somos mais fortes” e esta não é uma frase de incentivo clichê. Em grupos de estudos um pode ajudar ao outro em suas dificuldades.

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