Neste sábado estive no colégio Caic, em Jacarepaguá, para falar aos alunos e professores sobre a iniciativa do PVNC (Pré-Vestibular para Negros e Carentes). Minha fala foi precedida pela do Deputado Estadual Alessandro Molon, que formava a mesa comigo e com o geógrafo Márcio Flávio, um dos fundadores do PVNC. O mediador era o educador popular Hugo Providente, um dos fundadores e coordenador da ONG Construindo o Saber.

Emocionei-me lembrando do início do projeto em Jacarepaguá, em 1997. Comecei a dar aulas apenas no ano seguinte, mas já conhecia o PVNC e acompanhei as dificuldades do primeiro ano, quando não havia referências para mostrar aos seus alunos que poderia, sim, dar certo. Em 1998 alguns alunos oriundos do PVNC já estavam em universidades públicas e isso facilitou o nosso trabalho como educadores, pois os alunos tinham provas que seus sonhos poderiam se concretizar. A educação de qualidade oferecida por educadores populares voluntários, associada posteriormente ao sistema de cotas adotado pelas universidades públicas, aumentava, e muito, as chances destes jovens terem acesso ao ensino superior, para muitos deles os primeiros da sua família a terem esse benefício.

O PVNC, enquanto movimento social, inaugurou uma nova fase para a cidade do Rio de Janeiro. A educação recebida pelos jovens no PVNC é transformadora e libertadora, promove sua conscientização e o entendimento da sociedade em que vivem. As aulas não se restringem à mecânica de passar no vestibular, também incluem o aprendizado de Cultura e Cidadania, disciplina da qual fui professor até o ano passado.

Desta forma, nossos jovens entram na universidade não apenas com o intuito de se formar, mas de serem sujeitos ativos na construção de uma nova sociedade, mais justa e igualitária. Eles se inserem no movimento estudantil e sindicatos, não pensam em deixar a comunidade onde moram, mas transformar esta em um local mais digno de se viver.

Ao final da última gestão de César Maia na Prefeitura do Rio de Janeiro, os pré-vestibulares comunitários foram proibidos de funcionar nas escolas municipais. A formação de jovens conscientes não era interessante para políticos que mantém suas carreiras baseadas na ignorância da população. Essa proibição caiu pela mobilização dos próprios jovens e de movimentos sociais companheiros do PVNC. Políticas públicas de educação são a forma mais concreta de mudança da nossa sociedade. É isso que coloca os nossos jovens nas universidades e lhes proporciona um futuro melhor.

Mas o PVNC é um movimento que pretende ir mais além. A verdadeira intenção é que os pré-vestibulares comunitários e o sistema de cotas deixem de existir por não serem mais necessários. Para que isso aconteça é preciso uma profunda reforma no ensino fundamental e médio das escolas públicas e o aumento de vagas nas universidades federais. A vitória dos 50% do fundo do Pré-sal para a educação nos enche de esperanças que isso não está muito longe de acontecer.

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