No último sábado, 05 de junho, foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data vem sendo cada vez mais lembrada e discutida. Em todo o mundo governos e sociedade buscam soluções para os problemas causados pelas mudanças climáticas, diretamente ligadas ao nosso modelo de desenvolvimento baseado na exploração desenfreada do mundo em que vivemos.

Nossa sociedade é estruturada no consumo e no lucro. Trabalhamos sempre mais, para acumular mais capital e consumir mais – em uma escala bem maior que nossas gerações anteriores. Nessa lógica, produzimos sempre o máximo. Mas esse modo de vida tem um custo: a destruição do meio ambiente.

Seja pelo extrativismo desenfreado, pelo desmatamento causado pelo agronegócio ou pelas grandes emissões de gases de nossos centros urbanos, o modelo de desenvolvimento usado pelas grandes nações ao longo do último século se mostrou inimigo do meio ambiente, nos levando ao atual limite de degradação ambiental. Para frear esse processo de aquecimento global, além de pensarmos em soluções práticas, como economia de água e reciclagem de lixo, precisamos formular novas perspectivas que garantam um desenvolvimento nacional sustentável.

O Brasil tem se mostrado preocupado em discutir um novo modelo de desenvolvimento, que contemple a pauta ambiental. Um dos pontos importantes dessa construção é a revisão da matriz energética brasileira, que deve se basear cada vez mais fontes renováveis. Nesse ponto, destacamos a política nacional dos biocombustíveis.

Os biocombustíveis são combustíveis de origem vegetal, que podem ser produzidos a partir de diversas espécies, como a cana-de-açúcar e plantas oleaginosas – como a soja, o milho, a canola, o babaçu e a mamona. Em seu processo de produção não liberam óxidos de enxofre, além de menos CO2 do que a quantidade captada na produção agrícola de sua matéria-prima.

Atualmente o Brasil é o segundo maior produtor de biocombustíveis do mundo, ocupando uma posição protagonista. Além disso, seu programa nacional de produção, aprovado em 2004, prevê a utilização obrigatória mínima de matérias-primas oriundas da agricultura familiar – 50% na região Nordeste, 30% na região Sudeste e Sul e 10% na região Norte e Centro-Oeste. É o chamado Selo Combustível Social. Nesse aspecto, a política energética brasileira se mostra não só comprometida com o meio ambiente, mas também a serviço da inclusão social e do desenvolvimento regional.

Medidas como esta mostram que é possível pensar em um crescimento nacional aliado com a distribuição de renda e com respeito ao ambiente em que vivemos. Mas ainda há muito que ser feito. Recentes tentativas de acordos internacionais revelaram a falta de compromisso de muitos países com a construção de um novo modelo sustentável.

O mundo globalizado em que vivemos ainda é politicamente e economicamente dominado por uma minoria comprometida com o lucro máximo – e de poucos. Superar essa dominação significa pensar uma nova lógica global, onde haja um limite à produção definido pela sustentabilidade da sociedade. Esse limite não significa escassez à população, mas uma redefinição das necessidades da sociedade, uma transformação no nosso modelo de consumo. O que deve pautar nossas necessidades é a qualidade, e não a quantidade. Somente com uma transformação a nível global poderemos realmente comemorar a construção de uma nova sociedade, mais justa, igualitária, solidária e sustentável.

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