Neste último sábado, 29 de maio, um debate sobre os impactos e as perspectivas dos pré-vestibulares comunitários reuniu mais de 70 pessoas na Escola Estadual Brigadeiro Schorcht, na Taquara – onde estudei. A mesa fez parte de um dia de atividades, que envolveu alunos, pais e direção.

Com um auditório cheio, busquei destacar o papel decisivo exercido pelos pré-vestibulares comunitários, onde por muito tempo lecionei Cultura e Cidadania. Graças a projetos como o PVNC, contribuímos diretamente para que muitos jovens oriundos das classes populares entrassem na universidade. Esperamos e lutamos, porém, para que algum dia os pré-vestibulares comunitários não sejam mais necessários – para que o Estado garanta acesso a todos os jovens que desejem cursar uma universidade.

Os prés comunitários são medidas paliativas, meios da luta por essa democratização do acesso ao ensino superior. Afinal, como dizer ao jovem que quer hoje ingressar na universidade, ‘espere uns dez anos, para resolvermos todos os problemas de acesso ao ensino superior’?

Representam ainda uma nova proposta de educação, que prevê aulas como Cultura e Cidadania, onde o jovem tem a oportunidade de entender seu papel enquanto sujeito ativo na transformação de sua realidade.

Políticas públicas como as cotas e o Prouni também são de grande importância nessa caminhada. Mas, juntamente com essas medidas, devemos lutar por uma nova educação pública, de qualidade desde o ensino básico, e com ampliação de vagas no ensino superior. Queremos que o jovem tenha acesso a uma educação pública, gratuita e de qualidade, desde a creche até a universidade.

O vereador Reimont, da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, falou justamente sobre os problemas enfrentados no ensino básico – e como a superação destes contribui para que, no futuro, jovens do ensino público e privado cheguem ao vestibular em iguais condições. Segundo ele, nos últimos dez anos a educação do Rio deixou de receber grande parte da verba prevista no orçamento municipal – cerca de 500 milhões por ano.

– Com esse dinheiro poderíamos construir mais escolas e contratar professores, o que nos permitiria levar adiante nosso projeto de educação prolongada – onde a criança passa 8 horas por dia no colégio, com atividades esportivas e extra-classes. Precisamos oferecer aos nossos jovens a mesma educação completa que grande parte dos colégios particulares oferece. A escola pública já foi referência de qualidade, e pode voltar a ser.

Já Alessandro Molon, Deputado Estadual, ressaltou os avanços nas políticas de acesso a universidade nos últimos anos:

– Muitas universidades privadas têm isenção fiscal, mas o que fazem como utilidade pública? Durante muito tempo, e com raras exceções, nada. Com o Prouni – pelo qual essas universidades oferecem bolsas a alunos vindos das classes populares – estão finalmente fazendo jus ao imposto que deixam de pagar.

E completou:

– Estamos colocando cada vez mais jovens na universidade pública, e também na particular, com isenção ou desconto na mensalidade. Mas mesmo assim o vestibular continua sendo uma barreira para muitos, e aí entra a importância dos pré-vestibulares comunitários, uma iniciativa de fato transformadora da sociedade. A universidade brasileira está mudando de cara, cada vez mais popular.

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