Hoje completam onze anos da morte de Dom Helder Câmara. E eu não poderia deixar de prestar uma pequena homenagem neste blog. Dom Helder, figura destacada da vida religiosa e um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e das Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano, tem uma trajetória que serve de exemplo para todos nós.

Sua luta em prol nossos direitos humanos inspira não só membros da Igreja, mas toda sociedade. Sempre revelou coerência entre a palavra e a ação – seguia uma Igreja e uma vida simples, mas de muita força e luta.

Nascido e consagrado em Fortaleza, Dom Helder passou 28 anos no Rio de Janeiro, onde chegou a Bispo. Em março de 1964, foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife, cargo que ocupou até abril de 1985. Em seu caminho, ajudou a erguer a CNBB, o Banco da Providência, Comissões de Justiça e Paz. Trabalhou permanentemente pela consolidação das Comunidades Eclesiais de Base – grupos de base da Igreja, organizados principalmente entre as camadas populares, de reflexão e ação para a transformação da realidade à luz da Palavra de Deus.

“Não pensem que Deus ajuda a miséria. Deus não aprova as injustiças. As injustiças são um problema nosso.” Essa frase expressa a visão de justiça e igualdade defendida por Dom Helder. As injustiças são fruto do nosso modelo desigual e segregador, e não uma condição natural imutável.

Por sua forte atuação na luta pelos direitos humanos, pela igualdade, por justiça e contra autoritarismos, Dom Hélder bateu de frente com a Ditadura Militar. Perseguido e proibido de se expressar na mídia, não abriu mão de seu compromisso com os explorados e com os condenados pela Ditadura.

Suas posições e suas idéias disseminaram-se pelo Brasil e também no exterior. Dom Hélder publicou diversas obras, que foram traduzidas vários países. Indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz, recebeu mais de seiscentas condecorações, entre placas, diplomas, medalhas e troféus. Faleceu no dia 28 de agosto de 1999, em Recife, aos 90 anos.

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