Texto publicado originalmento no blog Franfaria, por André Santos.

Recebi um e-mail de um amigo contendo informações a respeito de um dos candidatos a Presidência da República, no correio eram copiadas aproximadamente duzentas pessoas. Em seguida sugiram algumas poucas respostas ao e-mail, umas concordando com a notícia e outras criticando.

O que me chamou a atenção, além do pequeno número de respostas ao correio, foi que não demorou muito para que uma das pessoas copiadas pedisse para ser excluída da lista, afirmando que “POLÍTICA NÃO SE DISCUTE”. Em seguida, li que outros faziam a mesma afirmação.

Então me perguntei: “Política não se discute, por quê?” Talvez um resquício da ditadura militar que sobrevive até hoje, ou reflexo de uma população alienada que ao não conhecer e não se interessar pelo assunto prefere não discutir, escondendo-se atrás de um pensamento cômodo e covarde, virando presa fácil para uma mídia tendenciosa que busca sempre seus próprios interesses.

O Datafolha divulgou uma pesquisa que mostra que o Brasil está dividido quanto à obrigatoriedade do voto, quanto maior a escolaridade e maior a renda, maior a taxa daqueles que votariam de qualquer modo, ou seja, os que mais precisam, são os que menos se interessam. Em contrapartida esse mesmo país bate recorde mundial de votação no Big Brother, 154 milhões de votos na última edição, fazendo com que o último vencedor do programa ganhasse mais votos que o Presidente Lula.

Semana passada, um texto de Robson Leite no Jornal do Brasil , questionava sobre o país que teríamos se as pessoas se dedicassem para a política como se dedicam para uma Copa do Mundo. Lembrei dos infinitos e-mails que recebi criticando a convocação do Dunga. Qualquer encontro de amigos que se vá, o papo é esse, até da seleção da Argentina a rapaziada faz críticas.

Se o Brasil tem 190 milhões de técnicos de futebol, por que não pode ter também 190 milhões de eleitores conscientes?

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