Atualmente, a saúde pública em nosso Estado é um dos serviços mais debilitados. Faltam investimentos, pessoas, estrutura e planejamento.

Na capital, a saúde coordenada pelo Município chegou a sofrer intervenção federal em 2005, durante o governo Cesar Maia, tamanho o estado de calamidade. Hoje, a atual gestão da Prefeitura avança na implementação e expansão de equipes de Saúde da Família e na tentativa de regionalizar os serviços de especialistas e urgência, facilitando o acesso das pessoas à saúde. Contudo, ainda são muitas as deficiências a serem enfrentadas, como o sucateamento dos hospitais, a falta de serviços para portadores de sofrimento mental e dependência de álcool e drogas, a necessidade de qualificação dos profissionais e a falta de especialistas na rede pública. Está claro também que o modelo neoliberal que delega às Organizações Sociais as obrigações do governo, em detrimento da criação de um plano de carreira para a saúde, não é a melhor estratégia para alcançarmos estas melhorias.

O Estado do Rio de Janeiro passou por alguns avanços nos últimos anos, com a criação das UPAs 24h, que colaboraram com o desafogamento das emergências e oferecem conforto a quem precisa de um atendimento de urgência. O problema que ainda precisa ser enfrentado é a continuidade do acompanhamento do paciente. Um homem ou uma mulher que sofre de pressão alta, por exemplo, no momento de crise recorre a UPA e volta para casa com o quadro controlado. Mas, sem um acompanhamento, voltará a ter o mesmo problema na semana seguinte. Precisamos investir em serviços de atendimento básico, com saúde preventiva que se desenvolva em todos os municípios.

Outro ponto central que merece investimentos é o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), um dos piores serviços da saúde. Hoje, a espera por resgate ultrapassa, às vezes em muito, os 15 minutos regulamentados. Fora a espera por resposta ao telefone, que pode ser superior a 30 minutos. Esses números são inaceitáveis. Além de garantir mais investimentos, devemos desenvolver um novo modelo de gestão, que garanta um choque de qualidade no atendimento.

Veja abaixo algumas de nossas propostas para a saúde:

* Fiscalizar a aplicação dos recursos destinados à Saúde, buscando garantir a transparência, espírito republicano e a eliminação dos esquemas de desvio e má utilização do dinheiro público;

* Articular e defender o esforço público para que se empreenda um salto de qualidade na gestão, com articulação das instâncias municipais, estaduais e federais de forma a oferecer à população uma rede de serviços integrada e resoluitva;

* Incentivar a implantação de mais equipes de Saúde da Família, fomentando a expansão e a qualificação dos serviços de atenção básica nos municípios;

* Implantar o acolhimento nos estabelecimentos de saúde sob gestão estadual, de maneira que toda pessoa que procure atendimento tenha uma equipe de profissionais que escute seu problema e se responsabilize com a melhor maneira de resolvê-lo. Organizar as redes regionalizadas facilitando o percurso das pessoas entre os diferentes estabelecimentos, sem que elas se sintam desamparadas;

* Mais investimentos e planejamento no SAMU;

* Incentivar a implantação de mais Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para cuidar dos portadores de sofrimento mental e de dependência química fortalecendo a superação dos estigmas e da exclusão;

* Atenção a programas de saúde da mulher: combater os altos índices de mortes maternas, grande parte evitáveis, desenvolver políticas que respeitem a autonomia das mulheres sobre seu corpo e saúde, e garantir ações estruturantes que assegurem qualidade de vida e de saúde em todas as fases da vida;

* Lutar por melhores condições de trabalho para os profissionais da saúde.

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