Me irrito (e ainda bem que não só eu) cada vez mais com a postura dessa velha mídia – aquela que durante minha infância e boa parte da vida serviu como meu principal meio de informação.

O que está sendo feito atualmente – uma tentativa unificada dos grandes meios de desqualificar o PT, Lula, Dilma e qualquer um que se relacione politicamente com tais lideranças – já passou de qualquer limite. Ultrapassou inclusive a afirmação de que “estão apenas defendendo seu ponto-de-vista, seu ideal político”.

Os poderosos da velha mídia não têm hoje sequer um projeto a defender. Não tem mais uma referência, um líder, um candidato, um modelo claro. Focam-se então apenas em desconstruir o projeto que está sendo tocado vitoriosamente pelo PT e seu governo.

A resposta de Lula a tantas manipulações de fatos e informações veio com um ótimo discurso, em que o Presidente questionou a suposta democracia da imprensa: “Se mantenham tranqüilos porque desta vez nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partido político e não têm coragem de dizer que têm partidos políticos, que têm candidatos, que não têm coragem de dizer que candidatos, que não são democratas e pensam que são democratas. Democrata é este governo que permite que eles batam.”

Essa tal “liberdade de imprensa”, tão defendida pela velha mídia, neste nosso modelo de concentração dos meios de comunicação, é exatamente o oposto de democracia. Em um real modelo democrático, a liberdade de expressão é de todos e todas, e não só da grande imprensa.

A postura da velha mídia – cuja resposta à fala de Lula fica clara na capa do jornal Extra de hoje – mostra mais uma vez como seu modelo democrático é distorcido. Durante oito anos, jornais e redes televisivas trataram de atacar o governo. E agora, na primeira vez que Lula resolve responder com dureza às difamações, aos 45 minutos do segundo tempo, seu discurso é considerado um ataque à liberdade de imprensa.

No fundo, acho que tudo é uma grande demonstração de desespero. Pela primeira vez, nem com tamanho esforço, a grande mídia não conseguiu reverter a opinião popular. Os brasileiros e brasileiras sabem (e sentem) as mudanças que vieram com o governo Lula – e não é qualquer afirmação do Globo ou Extra que vai mudar isso.

Durante os últimos anos, a sociedade organizada no enfrentamento a este monopólio da informação se mobilizou nas Conferências de Comunicação. Diversas medidas e pontos foram reunidos no documento final do encontro nacional, por militantes da área.

Este é o guia para a atuação do futuro governo. Esperamos agora que nossa nova Presidenta, que será eleita com o apoio popular e não por essa elite conservadora da velha mídia, assuma e enfrente de frente esse monopólio, apoiando medidas democratizantes e descentralizadoras.

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