Por Bruno Linhares

Assistimos nesta semana uma mui original movimentação de tristes figuras que, por desgastadas atitudes, travestiram-se em paladinos da liberdade de expressão. Sempre a partir dos seus domínios na urbe paulistana, reuniram-se, lançaram manifestos, obtiveram manchetes e espaços midiáticos em mais um movimento de orquestra dessa sinfonia que a velha mídia dirige para buscar evitar a continuidade da mudança.

Tais senhores e senhoras, intelectuais de antanho, personalidades do ontem, não parecem notar a fina ironia – em seus excessos, a velha mídia reedita os movimentos e práticas que culminaram nas duas décadas de ditadura militar. E ao pretender defender liberdades em nada ameaçadas pelo campo popular, alimentam a besta, o projeto golpista que une famiglias possuidoras dos grandes meios de comunicação, próceres demotucanos e militares de pijama. Não à toa, a edição do convescote “libertário” no Rio de Janeiro ocorreu em um inusitado espaço, que não prima por sua tradição democrática – o Clube Militar.

O ódio, de classe, parece animar os dois lados dessa tragicomédia – tanto a construção dos factóides que não se sustentam, a distorção das notícias, a manipulação das pesquisas, o puro silêncio quando fatos não se enquadram em seus desígnios quanto o ardor “democrático” em defesa da liberdade de expressão.

Na verdade, o único e grave atentado contra a liberdade de imprensa no período passou em branco para esses indignados defensores da livre expressão. Coerente silêncio. Legítimos representantes da minoria privilegiada apresentam notável parcialidade quando se trata de direitos alheios ao demi monde. Temos, no caso, o ato da Dra. Cureau, vice-procuradora-geral Eleitoral. Que na semana passada enviou intimação a Mino Carta para que apresentasse em 5 dias os dados de eventuais contratos da revista Carta Capital com o Governo Federal. Sob risco de “responsabilização” por crime de desobediência. A Dra. Cureau, que já havia se notabilizado em episódios anteriores com sua animosidade contra a candidatura Dilma, inovou as práticas jurídicas inaugurando uma nova modalidade de ação da Justiça Eleitoral.

A dinâmica do golpismo não encontra limites no ridículo. Não tem nenhuma vergonha de apelar para os mais dúbios e inusitados recursos. Não devemos esquecer os anos de chumbo – quando o processo democrático faz os setores populares avançarem, lá estão os guardiões das elites para impor, a mentiras, ferro, fogo e sangue os limites ao populacho. É necessário que estejamos em alerta e nos preparemos, deixando bem claro – Não Passarão.

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