Relatório da organização não-governamental Oxfam, que será divulgado no Fórum de Davos, mostra que a desigualdade global é ainda pior do que se imaginava

Em janeiro de 2014, a organização não-governamental Oxfam estimou que apenas 85 pessoas detinham o mesmo volume de riqueza que a metade mais pobre da humanidade.

Mas novos dados indicam que o quadro de desigualdade é ainda pior. Em um estudo que está sendo divulgado nesta segunda-feira 16, no Fórum de Davos, a Oxfam chegou a conclusão que os oito homens mais ricos do mundo têm um patrimônio igual ao da metade mais pobre.

Os cálculos da Oxfam são baseados na lista anual de bilionários da revista americana de negócios Forbes. Os dados de riqueza dos 50% mais pobres foram retirados do relatório “Global Wealth Databook”, do banco de investimento suíço Credit Suisse.

No relatório chamado de “Uma Economia para os 99%”, a Oxfam não cita os nomes dos oito bilionários. Mas, segundo a lista da Forbes, eles são Bill Gates, fundador da Microsoft, o homem mais rico do mundo; Amancio Ortega, dono da Zara; o megainvestidor Warren Buffett; o mexicano Carlos Slim; o fundador da Amazon Jeff Bezos; o fundador do Facebook Mark Zuckerberg; o dono da Oracle Larry Ellison; e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.

“Os oito indivíduos mais ricos do mundo detêm uma riqueza líquida de US$ 426 bilhões, valor equivalente à riqueza da metade mais pobre da humanidade”, diz um trecho do relatório.

De acordo com a Oxfam, a crise de desigualdade do mundo está se agravando. Alguns fatos, segundo a ONG, comprovariam essa tese:

– Ao longo dos próximos 20 anos, 500 pessoas passarão mais de US$ 2,1 trilhões para seus herdeiros – uma soma mais alta que o PIB da Índia, um país que tem 1,2 bilhão de habitantes.

– A renda dos 10% mais pobres aumentou cerca de US$ 65 entre 1988 e 2011, enquanto a dos 1% mais ricos aumentou 182 vezes.

– Um diretor executivo de qualquer empresa do índice FTSE-100, que reúne as 100 principais ações da bolsa de Londres, ganha o mesmo em um ano que 10 mil pessoas que trabalham em fábricas de vestuário em Bangladesh.

– Nos Estados Unidos, uma pesquisa recente realizada pelo economista Thomas Piketty revela que, nos últimos 30 anos, a renda dos 50% mais pobres permaneceu inalterada, enquanto a do 1% mais rico aumentou 300%.

– No Vietnã, o homem mais rico do país ganha mais em um dia do que a pessoa mais pobre ganha em dez anos.

Segundo a Oxfam, há várias causas para o crescimento da desigualdade. Entre elas:

1 – As empresas estão trabalhando para os que estão no topo
Segundo a Oxfam, as 10 maiores empresas do mundo tiveram receita superior a de 180 países juntos

2 – Arrocho de salários de trabalhadores e de fornecedores
O diretor executivo da maior empresa de informática da Índia, segundo a Oxfam, ganha 516 vezes mais que um funcionário médio da mesma empresa. A ONG também diz que, na década de 1980, produtores de cacau ficavam com 18% do valor de uma barra de chocolate. Atualmente, ficam com apenas 6%.

3 – Evasão fiscal
A ONG acredita que as empresas maximizam seus lucros pagando o menos possível em impostos. Segundo a Oxfam, elas fazem isso usando paraísos fiscais ou fazendo com que os países concorram uns com os outros na oferta de incentivos e isenções fiscais e de alíquotas tributárias mais baixas.

4 – Supercapitalismo dos acionistas
As empresas estão desembolsando uma parcela cada vez maior desses lucros para os seus acionistas, segundo a Oxfam. Segundo ela, no Reino Unido, 10% dos lucros das empresas foram distribuídos aos seus acionistas em 1970. Atualmente, esse percentual é de 70%.

Fonte: Isto é

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